Geração Food-Truck

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‘Ele estava chorando, mais ébrio do que a ebriedade é capaz. A crise de seu relacionamento conveniente e obsessivo se converteu no progressivo abandono de seus estudos. Quando ele de fato chegou ao fim, se converteu um passo da loucura autodestrutiva completa. Não pude consolá-lo.

Enquanto isso, o outro me dizia que teria que dar um plantão de manhã e pedia permissão para sua recém esposa para tomar um gole de cerveja. Ela a deu, enquanto cruzava os braços e olhava para o horizonte.

Ao contrário de mim, era a joia da família, estudando para ser advogado. Para os que ouviam os rumores, eu era o garoto-problema-que-mudou-de-emprego-de-novo-e-ainda-está-solteiro-aos-trinta-anos-será-que-ele-é-viado-ou-está-deprimido. Para os que acompanhavam de perto, estes me perguntavam o que fazer para sanar a epidemia depressiva das pessoas entre 20 e 40 anos de minha proximidade social.

Casais por conveniência. Abundância material e ansiedade material convivendo numa mistura cáustica de expectativas que contradizem tudo o que sabemos por nossa própria experiência.

Não sei dizer para a senhora diante do hospital se a geração food-truck é boa ou ruim.

“Só digo uma coisa. Se você está nela e não se aceitar – algo que envolve casamento e carreira – pior pra todo mundo. Mas precisa chegar no fundo do poço pra ter coragem de fazer o que tem que ser feito, sejam pais sessentões ou filhos.”

“Mas fazer o quê?”

“Empregos sem horizonte monetário próximo e relacionamentos com 1 semana de garantia.”

“Credo. Mas e se precisar de dinheiro? E se quiser ter filho?”

“Por isso que precisa de coragem.”

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