Luta Cotidiana

fight

Ele sabia que estava fodido. Mas sabia que os outros estavam também. Duvidava que alguém ali naquele beco, além dele, fizesse mil flexões por dia.

À esquerda, um magrelo de punhos fechados. Esse não valia a pena. Se chegasse perto, tomaria um jab e viraria história.

No centro, outro magrelo com uma faca na mão. Derrubava ele fácil, mas ia ser chato desviar daquela faca. Por outro lado, ia provar que seus punhos eram mais poderosos do que qualquer arma branca.

À direita, um brucutu de mãos vazias. Ia ser foda.

Atrás de todos, um cara com pinta de policial fora de serviço girando uma pistola na mão. Era pra cima dele que ele iria. Afinal, era rápido o bastante para não dar chance pro cara atirar.

Ele avançou e os três da frente avançaram. O cara de trás ficou parado, de sorriso no rosto.

O magrelo da esquerda mal deu dois passos e já estava no chão só com a trombada. O do meio e da esquerda vieram juntos. Se concentrou em atacar o bombado, que caiu com um soco no queixo. Desarmou o da faca, que o havia rendido um corte nas costas. Sem arma, o magrelo saiu correndo.

Enfim era só ele e seu alvo. Mas o cara de trás estava com a pistola apontada para ele. Tinha acabado. Pelo jeito que empunhava, o cara devia saber atirar. Se ajoelhou e pôs as mãos para o alto, esperando que o outro chegasse perto e baixasse a guarda.

Nunca aconteceu. O cara da pistola se retirou caminhando do beco e nunca mais apareceu.

Nosso herói chegou à conclusão que ele era um lutador de merda, e começou a fumar dez baseados por dia ao invés das mil flexões.

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