Skydiving

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Depois de anos lutando contra a minha própria inexperiência em matéria das coisas que gosto, quero, desejo, preciso, temo, gostava mas passei dessa fase, parece um futuro interessante, odeio mas não consigo parar portanto acho que é vício mesmo, eu decidi pela segurança. Foi com orgulho no peito e o olhar distante dos outros olhares, o que confirmava que este orgulho era um orgulho de madrugadas solitárias viajando, que eu anunciei aos meus colegas de skydiving que tinha dado meu último salto.

Da caixa do meu quarto para a caixa do meu carro para a caixa de um escritório cuja borda da caixa eram as pessoas pelas quais eu desenvolvi uma afeição passado um período suficientemente prolongado de convivência, como animais em cativeiro que são postos dentro de uma jaula e acabam acasalando. É legal. Nada de errado com isso (mãos retas e espalmadas cruzando na minha frente de dentro para fora).

Tava tudo bem, mas minha vida estava protegida. Evoluí para a malhação e o veganismo e a meditação e higiene do sono.

Com um soprar de uma brisa de uma futura esposa que me deixou por motivos bastante compreensíveis e de um modo muito pacífico, eu fui pular de novo pra ver se passava essa draga desse frio magnético na altura do meu esterno. Quando eu pulei de novo, eu percebi que eu tinha um medo do caralho daquilo. Voei, entretanto.

Se eu não ponho minha vida em risco, ela fica preciosa demais, e o mundo cruel demais por extensão.

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