De Volta à Vila

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Não é mais uma questão daqueles idiotas com os quais Deus já perdeu a paciência. Estes estão com seu destino escrito e não têm vergonha em alardeá-lo para meio mundo. O problema todo começou quando o mascate trouxe ao comércio um par de lentes. Disse que se tratavam dos óculos do Boddhidharma. “Quem colocá-los verá a verdade e a mentira de uma só vez”.

Então, sob o as lentes do Boddhidharma, tudo se explicou. Os idiotas, sentados na porteira quebrada e descascada, mascando fumo e exalando ideais de tédio, tornaram-se crianças famintas pedindo pão para quem quer que passasse. E os que se incomodavam com aqueles idiotas e que maquinavam mil razões para seu linchamento tinham as mesmas caras dos idiotas, aquele medo orgulhoso, aquelas bocas laceadas que diziam que as árvores eram mais baixas do que realmente eram, que adiantavam a idade de todas as pessoas em duas décadas.

Diante do espelho, com os óculos vestidos, a própria imagem desaparecia. Só restava a imagem dos pensamentos, que tinham a aparência de um helicóptero espirrando tinta de um espectro limitado de cores por todo o quarto.

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