A Trágica História de Robinho Fiodorovitch

Robinho

Robinho Fiodorovitch era um daqueles homens que desenvolveu desde uma idade pré-púbica uma necessidade absoluta, quase tão forte quanto sua vontade de respirar, de atrelar-se aos estágios de sua vida da forma que ele percebia como favoráveis. Não era uma questão de pressão externa, educação ou conceitos forçados por filmes ou comerciais. Em realidade, Robinho Fiodorovitch teve uma família pouco usual, onde, à certa altura, seu pai administrava cinco relacionamentos simultâneos com mulheres que poderiam ser categorizadas pelo jargão hiphóptico norte-americano como “bitches”, enquanto sua mãe, que deixara para o pai a responsabilidade de tratar dos filhos, enfurnava-se num ashram para expiar seus pecados, melhor dizendo, a versão hinduísta de pecado, vasanas samskaras. Isso não o impeliu a ser uma pessoa excêntrica, tampouco uma necessidade de opor o estilo de vida de seus pais; Robinho Fiodorovitch tinha uma cabeça aberta para sua própria geração, para encarar as pessoas loucas em termos de suas dores e as pessoas corretas demais em termos de seus medos.

Mas Robinho Fiodorovtich era obcecado pelos estágios. Adolescente rockeiro, no entanto preocupado com o vestibular. Universitário alternativo e inclinado ao sexo casual, no entanto investido nas demandas de sua carreira. O curso em questão era um novo que fora aberto na Universidade de Santo Elrond chamado Gestão de Recursos Sociopolíticos, uma versão ecumênica de um curso de contabilidade empresarial.

É claro que Robinho Fiodorovitch conseguiu um lugar no mercado de trabalho, inicialmente como trainee, cargo que ocupou por oito meses antes de ser promovido a analista de negócios junior. Era hora de achar uma menina certa e casar. Em questão de um ano, ele logo se convenceu que o adjetivo “certa” estava atrapalhando as coisas. Entre suas duas opções, havia uma de rosto bonito, corpo esquisito e um certo excesso com os tóxicos, assim como outra de rosto feio, corpo bonito e do tipo durona, daquelas que tem um plano e irá cumpri-lo e que o homem faça sexo consigo mesmo. Ele escolheu a de rosto bonito.

Robinho Fiodorovitch lidava bem com seus problemas, que não eram poucos. A mulher de rosto era um problema na maior parte, mas facilmente contornado através de listas de objetivos e questionários de valores pessoais locupletados em casal. E as viagens eram boas. Um monte de lugares quentes com muita água e restaurantes um pouco mais caros do que o normal.

Os anos passaram, o filho veio, Pio Robinhovich, um menino que logo ficou um pouco mimado demais, mas Robinho Fiodorovitch, aberto, estudioso e equilibrado que era, logo tratou de dar umas broncas e castigos e logo Pio Robinhovitch tornou-se uma criança moderadamente mimada que não desmontava diante de um não. A mãe de rosto agora um pouco menos bonito do que antes mas com um corpo muito mais malhado às custas de crossfit não era das mais amorosas, mas Robinho Fiodorovitch trouxe um pouco mais de DR pacifista à mesa e logo ela aumentou a frequência abraços no jovem Pio Robinhovitch.

Os problemas começaram aos quarenta e cinco anos de idade, problemas mesmos, um que jogou Robinho Fiodorovitch num vácuo existencial para o qual ele não conseguiu encontrar saída. Estava perto da hora na qual Robinho Fiodorovitch deveria experienciar uma queda na sua energia, cabelos e talvez até na genitália. Mas Robinho Fiodorovitch foi tão perfeitamente equilibrado em seus defeitos e acertos, problemas e soluções, vícios e moderações, que ele começou a rejuvenescer. Com cinquenta anos, seus cabelos ganharam a cor de antes e as rugas começaram a diminuir, assim como aquela barriguinha insistente.

Incapaz de aguentar aquele contrasenso, Robinho escreveu um livro entitulado: “De Criança Para Adulto: Como Transformar Sua Vida Numa Constante Negação da Adolescência”.

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