Acima da mente

acima da mente

A mente vaga por onde ela mesma manda, com uma eventual repressão para cerceá-la. A repressão é grande, a pressão que ebule desde dentro é maior ainda.

Para, fecha os olhos, respira, e com a sorte de não ser interrompido por algum tipo maluco de mantra ou alguma noção de que o objetivo é elevar as vibrações ou alguma noção frágil dessas, a mente aparece. Um pouco dela. Nossa, como eu sou maluco, com todos esses raios multidirecionais de pensamentos e essa tremedeira que não passa. É assim que passo meus dias?

Se eu posso ver a mente e posso pensar numa banana ao meu dispor – não pense numa banana! -, então eu posso… controlar isso?

Até certo ponto.

Coincidências. Você fala de uma pessoa que você não vê há muito tempo e ela te adiciona no facebook.

É verdade então o que estão me dizendo, que os pensamentos viram coisas.

Se o desespero for grande o suficiente e você se dedicar, viram sim. Algumas coisas. E meio diferente do que você imaginou. As coisas mais importantes não viram.

É hora de alinhar emocionalmente. Dá um gás a mais, a vida vira uma série de listas de aspectos positivos e as reservas morais vão se tornando translúcidas.

Só que no fim, você irá cair de novo na preguiça. Olhe em volta. Muita coisa mudou para melhor, não é? Mas não aquelas coisas mais importantes.

O que fazer agora? Voltar para o pessimismo disfarçado de realismo (todo mundo que diz ser uma pessoa realista é, na verdade um pessimista)? Voltar a acreditar que a vida é um sacrifício? Você já viu demais para voltar atrás.

Se o desespero ainda for grande, é possível atentar-se para a verdade sobre si mesmo. Quando te disserem que existe um verdadeiro Eu por baixo do falso Eu, lembre-se que este verdadeiro Eu é um buraco vazio onde nenhuma personalidade e preferência subsiste. Nem mesmo a sua própria humanidade sobrevive lá.

Quem vê o verdadeiro Eu, só um pouquinho, apoiado por alguém que saiba do que está falando sem tentar te vender nada ou te transformar num seguidor ou discípulo, chega à inevitável conclusão que não há evolução pessoal ou espiritual, e que ser monge é como ser um roceiro com roupa bonita e um monte de rituais. Alguns escolhem isso. Não é uma vida má, visto que tudo nesse mundo leva a algum tipo de anseio insatisfeito.

Voltando ao mundo capitalista individualista progressista, as coisas começam a acontecer, dessa vez de verdade, e não é assim tão excitante. Você está pagando o preço. Visualizar seu desejo não funciona tão bem, pois há o buraco por trás disso tudo. Não é nem preciso estar motivado. Até a felicidade aparece, mas ela é uma nuvem no céu que chove e passa.

Acima da mente, é só uma questão de fazer ou não.

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