Planetas Habitáveis e Visigodos

planetas habitáveis e visigodos

Como não se sentir afetado pela descoberta de planetas rochosos supostamente habitáveis?

Houve um tempo que a exploração geográfica era a responsável por incitar a imaginação. As terras selvagens da América, o interior da África, as ilhas desconhecidas, o continente perdido da Antártica.  Edgar Rice Burroughs fez uma carreira inteira em cima disso.

Quando os horizontes de exploração da Terra terminaram, a exploração interplanetária parecia um passo lógico. A colonização da Lua, Marte, até que se chegasse à conclusão de que a evolução tecnológica e o custo-benefício desse tipo de empreendimento eram insuficientes e o seriam por muitas décadas – ou séculos – por vir. Afinal, não havia reis vendendo escravos e marfim.

O assunto esteve bem paradinho no mainstream. Nos últimos tempos houve uma tendência a se dizer: agora a exploração humana voltar-se-á para dentro, para a mente. Ou então para o absurdo do pretérito, astronautas da antiguidade, ligas reptilianas. Eu acho que talvez seja a falta de planetas habitáveis conhecidos ou continentes ainda não colonizados: uma mentalidade de renascença europeia que já se estende por tempo demais, como uma adolescência tardia. O progresso. A evolução científica, racional, artística, econômica, tecnológica.

O que vejo, entretanto, é a civilização clássica quebrando e as invasões bárbaras começando. Uma idade média do século vinte e um, a universalidade enquanto rigor de lei, verdades assumidas, bandeiras sobre ideias.

Se esses planetas forem o novo novo mundo (e eu não acho que sejam), eu acho que os reis visigodos não estarão ligando muito para eles por enquanto.

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