Aquilo que queremos ouvir

Businessmen Going Around in Circles --- Image by © Paul Hardy/Corbis

Se você procurar pela solução para os seus problemas, será inundado por propostas que ignoram o óbvio, cujo preço é leve, com o mínimo de sofrimento, mais conhecidas como “aquilo que queremos ouvir”.

Aquilo que queremos ouvir cria, por um lado, preguiça, e, pelo outro, impaciência, sustentados por um perfeccionismo que nos freia. Objetivos espetaculares que não firam ou ameacem nossa criança interior ou as estruturas básicas de nossa vida, tão arduamente conquistada.

A espiritualidade torna-se um atalho que não ataca nossa busca adolescente por personalidade. Os programas de fitness favorecem riscos de lesão em prol de mais resultados em menos tempo. A autoajuda diz para você seguir sua inspiração. A semana de trabalho de quatro horas. O dinheiro rápido daquele empreendimento vultoso num aplicativo. A sedução sem precisar ser rejeitado.

Aquilo que queremos ouvir torna-se uma forma estranha de religião. Porque você parou de fazer isso ou aquilo que você fazia tão bem? Fulano está obcecado. Vou fazer um curso disso, um blog daquilo, um pouco mais disso, a lista nunca termina.

O problema não é fazer várias coisas ao mesmo tempo. O problema é não querer sofrer as consequências. Fazer tudo flutuando num certo nível de conforto que por vezes se apresenta como desconforto. Temos tanta aversão ao risco que pegamos uma coisa que supostamente odiamos fazer e a transformamos em nosso escudo.

E, mais uma vez, se procurarmos o bastante, encontraremos aquilo que nós queremos ouvir, bem ali, na tela mais próxima.

“Se me perguntassem o que eu fazia nas horas vagas, a resposta seria ‘estou escrevendo um livro’ — o que mais um professor respeitável de escrita criativa faria no tempo livre? E, claro, eu mentiria para mim mesmo, dizendo que ainda havia tempo, que não era tarde demais, que havia romancistas que só começaram aos 50 anos, ou até mesmo aos 60. Devia haver muitos deles.”

Stephen King

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