Dinheiro Fácil

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“É um milagre”, exclamou o sujeito. “Um milagre! Por toda a minha vida eu só tomei porrada atrás de porrada para no final do ano ficar contando as migalhas”.

“Posso ver que o senhor tem espírito de vencedor”, disse o homenzinho de óculos espelhados. “Aqui está”. Ele repousou sobre a mesa um baú escuro, onde estava escrito Tesouro de Huneric, o Vândalo. “Agora é o seguinte. Você precisa criar o seu próprio grupo. Dê uma parte do tesouro para cada um e fique com o que for mais valioso. Em um ano, você verá o valor triplicar. Em dois anos, valerá dez vezes o que vale agora. Nossos arqueólogos estimam que em três anos, você poderá não só recuperar seu investimento, mas criar dinheiro o suficiente para reinvestir nos outros tesouros que estão sendo, mês após mês, descobertos no mediterrâneo”.

O sujeito já estava absorvendo aquela maneira de ser com um tipo de entusiasmo que o eludia há décadas. Saiu com o baú, olhando para os lados, quase correu até chegar em casa. Já se preparava para explicar para a mulher que diabos era aquilo e quem diabos era Huneric, o Vândalo, quando se lembrou de que ela mudara-se para a casa da irmã ao saber do empréstimo que ele havia tomado – subprime, para endividados – para comprar a bendita coisa. Agora tudo aquilo ficara para trás. Ele teria dinheiro e não precisaria mais da lambisgoia em sua vida.

Abriu, emocionado.

Nenhum brilho dourado, apenas um pergaminho de mais de mil anos de idade, onde se lia: “Após todos seus feitos abomináveis, Huneric foi capturado pelo diabo. Tendo se satisfeito por tanto tempo com o sangue dos santos, rasgou-se em pedaços com os próprios dentes e acabou com sua vida miserável.”

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