Ouro de Tolo

ouro de tolo

Eis o ouro que ninguém quer pôr as mãos. Está sobre uma mesa na calçada, com os dizeres “pegue se tiver coragem”. A parte do “se tiver coragem” não quer dizer retribuição futura; está mais para a questão do poder e responsabilidade do Tio Bem.

Raimundo Gachar achou que estaria correndo um grande risco colocando todos aqueles bens para qualquer um pegar. Não era só ouro: era o ouro que transformaria o chumbo em ouro. Grande ansiedade o acometeu ao montar a mesinha e depositar os braceletes, talins e moedas. Algum deles pegaria o ouro e viria atrás dele, conspurcar sua bem-aventurança.

Parece que Raimundo Gachar superestimou a sabedoria das pessoas, pois a única coisa que ouviu foi “tira essa mesa da calçada”, “convencido”.

O mais curioso é que, dias depois, trocou os objetos de ouro por objetos de cobre pintados de dourado. Daí foi uma comoção. Em dez minutos até a mesa tinham levado.

Enquanto manuseava o seu tesouro, Raimundo Gachar chegou a uma conclusão: as pessoas não querem ser educadas. E entendia por quê. Ter educação significa que, mais cedo ou mais tarde, você terá que usá-la, e isso não só dá trabalho mas te coloca em situações de risco. É melhor fingir que se é educado e brandir suas joias falsificadas para fins de conversa de mesa de bar.

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