Asco e Glabra

asco e glabra

Asco era o filho mais novo do rei. Asco não tinha direito sobre as terras entre os rios Escuridão e Amanhecer, onde reinava seu pai e seu irmão reinaria após ele. Asco era fraco, não tinha uma mente militar ou dons para a cavalgadura.

Tudo que Asco tinha era a sua prima Glabra, que morava acima do rio Amanhecer. Asco cresceu, Glabra cresceu. Entediado com a vida, embriagou-se de vinho e atravessou o rio numa noite de outono. Ofereceu vinho a Glabra e eles conversaram, beijaram-se, fizeram amor de uma maneira feroz e desajeitada.

Ao acordar, já no castelo de seu pai, a aventura fora descoberta. O Rei Justo, pai de Glabra e tio de Asco, declarou guerra ao irmão. O reino foi destruído. Todos os parentes de Asco foram crucificados diante do castelo. A mãe de Asco, enquanto a pregavam na madeira, disse a ele que deveria tê-lo abortado. Asco fugiu pela noite.

Pouco durou a vitória do Rei Justo, pois a família de Asco possuía sangue de Fora. Os velhos espíritos deslizaram para fora do rio e congelaram a terra.

Quando a neve já cobria metade dos caules, encurralaram Asco nas profundezas de um bosque, onde as árvores davam seus últimos suspiros, e o amaldiçoaram. Ele ganhou a cabeça de um cão no lugar de sua, e para sempre foi incapaz de pronunciar palavras humanas.

Desde então, nas terras entre os rios Escuridão e Amanhecer, um homem com cabeça de cão vaga pela paisagem congelada, uivando todas as noites para uma lua que não pode ver por entre a névoa. Diz-se que ele tenta, em vão, chamar pelo nome de Glabra, que nem mesmo a cruz vermelha sobre a qual faleceu sua mãe o fez esquecer.

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