A Última Sala da Masmorra

a ultima sala

Kron mancava, deixando um rastro de sangue no chão cavernoso, enquanto gemia pedidos de auxílio aos companheiros. Tibion, quase de quatro, farejando o chão em busca de armadilhas, ergueu os olhos para Calham e seu cetro dourado. Calham suspirou fundo e olhou para Kron:

– Resta muita pouca mana em mim, Kron. Ainda há uma sala à frente, e é provavelmente lá que está o necromante.

– Seu igrato – disse Kron. – Por toda essa maldita masmorra eu tomei porrada e você está sendo miserável com sua cura? De quantos ferimentos eu não te poupei? E o que vocês dois teriam feito se os vultos alados não tivessem vindo todos em cima de mim?

– É sua função, Kron – respondeu Tibion, com o nariz de volta ao chão.

– Mas para cumprir minha função, eu preciso da minha energia. Vejam: mal consigo segurar minha própria espada.

Com um ar impaciente e mais um suspiro, Calham aproximou o cajado de Kron, produzindo uma tênue luminosidade em volta do guerreiro, que sorriu e reassumiu a postura de líder.

– Muito bem, cachorrada – disse ele. – A estratégia será a seguinte: eu e Calham entraremos primeiro. Eu correrei que nem um maluco, sem deixá-lo falar uma palavra. Você, Calham, use o restante de mana que ainda tiver para me proteger, saque seu mangual e junte-se a mim. Neste meio tempo, você, Tibion, esgueire-se pelo canto e aproxime-se por trás de onde o necromante estiver e o esfaqueie. Se agirmos rápido, não haverá problemas.

Tibion ergueu-se.

– Há um problema, amigo: eu preciso perguntar para o necromante sobre o paradeiro do meu irmão.

Calham esfregou os olhos com os dedos e suspirou mais uma vez.

– Não – disse Kron. – Não dessa vez. Precisamos que você esfaqueie o mago pelas costas.

– Você nunca consegue nenhuma informação sobre seu irmão, Tibion – disse Calham. – Desista. E Kron, eu preciso me proteger antes. Se o necromante lançar uma magia em mim, eu estou ferrado. Os vultos alados também me feriram.

– Preciso tentar – disse Tibion. – Faz anos que estou atrás do meu irmão.

– Que provavelmente é um camponês desinteressante – disse Calham.

– Você precisa me proteger, padre, senão o dano que todos nós receberemos será muito maior – disse Kron.

– Eu sou fiel ao Grande Pólipo – disse Tibion. – Foda-se você e seu deus falso.

– Eu não vou mais curar nem proteger ninguém – disse Calham.

– Eu é que mando nessa porra – disse Kron.

Como antes dito, Calham ergueu o cajado e lançou uma maldição em Kron que o derrubou. Em seguida, Tibion esfaqueou Calham pelas costas com suas duas adagas e, por sua vez, foi golpeado pela espada de Kron com o último suspiro de força do guerreiro, que babou e caiu inconsciente.

O necromante surgiu das sombras da parede da caverna e desfez sua magia de invisibilidade. Perguntou-se porque escolhera a magia negra ao invés dos simples, porém efetivos, encantamentos mentais.

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