Nuca

nuca

O homenzinho que eu achava que vivia dentro deste homem, murmurando uma extensa gama de ideias e chamados à guerra, parece que não está aqui. Um elfo que não resiste ao olhar de seu amo, como tentar olhar para a própria nuca. Mas ele não está aqui. Não é uma única voz que me fala; é a voz dos meus pais e dos meus muitos mestres; é a voz dos meus amigos e amigas, alguns perdidos em curvas fechadas que eu tive que dar. O homenzinho não está ali. Pego do barro da noosfera o molde de algum outro homenzinho, e ele se desfaz, pois eu sei quem ele é. Eu mesmo o moldei e tentei fingir que ele era o homenzinho que eu pensava existir dentro de mim. Como o elfo, ele desmancha ao ser olhado. A terrível conclusão assoma. O tédio absoluto, o antidrama definitivo, que é ainda mais terrível pelo fato de que, se é assim comigo, é assim com todo mundo. Resta o desconhecido, a realidade da sua própria nuca. A humanidade, jogando seus homenzinhos de barro noosférico de um lado para o outro e virando as costas antes que se espatifem, está tão perdida quanto eu.

Só resta a devoção à nuca.

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