A Questão do Paladino

A Questão dos Paladinos

Estavam todos de acordo com os objetivos: buscar oportunidades na linha do trabalho mercenário, incluindo invasão de ruínas, serviços para exércitos e forças coercitivas, eliminação de pragas superpoderosas e demais situações onde as habilidades do conjunto seriam bem aproveitadas e bem pagas. Metade do impulso desta opção profissional era o ouro, a outra metade a aventura. Godhar era bom com as facas e com fechaduras. Hurian era um religioso, servindo a um deus vingativo e temperamental, especializado em medicina e na lida com o sobrenatural. Yon tinha braços fortes e um machado da largura dos ombros de Godhar. Wanderic era um exímio arqueiro, rastreador e conhecedor das plantas e animais. Todos tinham sua história, seus deuses, suas segundas intenções, o desejo por aventura, ouro e equipamento.

Mas tinha a questão do Paladino.

Aquele homem era um mistério. Seu nome era Faramur, mas os demais não conseguiam pensar nele senão como O Paladino. Ele possuía algumas das habilidades de Hurian, alguns dos talentos de Yon e uma coragem acima da média. Tecnicamente, uma boa adição. O problema era que ele não tinha nenhuma intenção de acumular riquezas. Não podia. Não tinha gosto pela aventura, apenas um impulso de combater aquilo que chamava de Mal. E o Mal, segundo ele, estava presente em muitas das atitudes de seus companheiros. Podia ser uma frase, uma delinquência localizada, uma recusa em agir.

Ninguém sabia porque estava ali, ou quem o havia chamado, e ninguém o defendia. Toda decisão do grupo tinha que incluir algum tipo de diversão para não incitar o senso de justiça do Paladino, e isso cansava. O desejo de vê-lo empalado ou decapitado cresceu na cabeça de todos.

Foi Godhar que propôs a teoria. Ele era o Inimigo. Toda aquela busca egoísta por ouro e aventura era uma distração para a missão verdadeira do bando: matar o Paladino. Fazia sentido. Os deuses sabiam que eles eram heróis, e haviam posicionado o Inimigo para sagrar seu heroísmo e os elevar da condição de meros caçadores de recompensas.

A batalha foi desigual. Sozinho, o Paladino pouco pôde fazer contra as flechas de Wanderic, o machado de Yon, a maldição de Hurian e, por fim, a facada pelas costas de Godhar que o finalizou.

A partir daí, o desejo pelo ouro diminuiu. Agora, eles eram justiceiros, guerreiros sagrados, determinados a por fim a todo e qualquer paladino que caminhasse sobre as Terras Livres.

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