Uma Forma de Aceitar

viver até morrer

Há uma diferença crucial entre autoanálise e expressão de si. Ainda que as duas coisas demandem um olhar para dentro, é o lado de fora que determina esta diferença.

Para quem vê um mundo repleto de conteúdo significativo, de coisas que importam e coisas insignificantes, coisas boas e ruins, um julgamento cirúrgico do que é o jeito certo e o errado de se viver, a autoanálise é o caminho natural caso se faça necessário olhar um pouco para dentro. Tem alguma coisa ali fora que é a coisa boa e o coração está atrapalhando.

Quem dera fôssemos tão crianças assim.

É fácil esvaziar o mundo, principalmente quando os níveis de educação e informação começam a transbordar o limite do útil e do agradável. Para o olho que vê o mundo vazio, relativo e contextual, a expressão de si torna-se o conteúdo significativo da coisa toda. A ditadura do coração.

Quem dera este olhar existencialista fosse honesto.

É difícil esvaziar o mundo interior. Já é difícil o bastante reconhecê-lo, quanto mais esvaziá-lo. Mas quando os níveis de expressão de si e autoanálise começam a transbordar o limite do útil e do agradável, aquele coração e aquela expressão espontânea tornam-se tão vagos, contextuais e relativos quanto o mundo pós-moderno. Descobre-se uma outra forma de moralismo mesquinho naquele suposto eu-verdadeiro que é a gasolina da expressão de si.

A partir daí, a única opção é viver. Não curtir a vida ou procurar um propósito. Viver até morrer.

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