O Grande Conspurcador

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A congregação de neo-pagãos, black-metaleiros e laveyistas formou uma fila até o carvalho ancestral para honrar a chegada do super-homem. Ele tinha dois metros e trinta de altura, era belo como uma estátua de Michelangelo, capaz de liberar qualquer ser humano do dogma com um simples olhar e controlava as chamas. As nuvens negras o seguiam para onde quer que ele fosse. Enfim, todos aqueles outsiders poderiam alcançar o poder que era seu direito de nascença através da benção do anti-messias.

Eis que um homem vestido de negro, careca, de barba grisalha até a cintura e um colar com um pentagrama invertido se aproximou do início da fila, onde uma devota recebia o olhar da libertação.

“Você chega aqui”, disse o velho satanista ao homenzarrão, “você traz tudo aquilo que estes corpos pediram, você traz a mensagem derradeira da libertação do moralismo e da escravização das almas, eu te reconheço, você que chegou aqui. Agora deixe-me explicar o que acontecerá daqui em diante. Quando você lograr a libertação de todas essas pessoas, elas não mais serão capazes de conviver com as demais pessoas afetadas pelo dogma. Fechar-se-ão em seus próprios quartos e mausoléus ou caminharão unidos, sozinhos e livres. Mas então não haverá mais dogma a ser combatido, não haverá mais ovelhas para o pastor invisível, e logo eles vão se voltar uns contra os outros, e irão gostar disso. Ao vencedor, os espólios, e o vazio da vitória e da plena realização de si. E a cada um dos perdedores, o vazio de não ter que lutar contra os próprios recalques. A única forma que terão de enfrentar os próprios recalques e reanimá-los será impedindo que tu continues teu trabalho. E a única forma de manter suas próprias identidades será se reeducando no moralismo. Eles novamente render-se-ão ao pastor invisível para que então possam buscar a liberdade deste próprio pastor num ciclo infindável. Não é teu direito libertar estes homens, pois nenhum homem deseja a liberdade se não há uma prisão. Vá embora, anti-messias, e deixe que nós nos debatamos diante de nossas próprias grades.”

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