O Muro do Facebook

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Toda vez que as pessoas se tornam convictas demais sobre como a vida deve ser vivida, o que é bom ou que é ruim, começam os planos para um muro. Mas ali no ano de 20** as pessoas queriam outro tipo de muro, um bloqueio digital para as separarem de opiniões que causavam irritação e vergonha alheia diários, e de separar as pessoas com as quais tinham boas lembranças do lixo (na opinião da pessoa) que despejavam nas plataformas virtuais. Assim nasceu o Muro do Facebook, que não era só do Facebook, mas de todas as aplicações e meios de comunicação digitais. Você logava no negócio e a primeira pergunta era de que lado do muro você estava. Sim, no início havia a opção, embasada num questionário. Depois de alguns anos, as perguntas acabaram, e seu histórico armazenado em cookies e outros métodos semi-éticos definiam a priori sua posição na política digital.

De um lado, os guerreiros da justiça social, representados pela cor VERDE. De outro, os guerreiros dos bons costumes, representados pela cor LARANJA. No início foi um alívio. Porém, passado um tempo, as pessoas começaram a ficar curiosas sobre o que tinha do outro lado. Pior, começaram a desejar as coisas do outro lado. Para a surpresa dos LARANJAS, foram eles que se ferraram. O dinheiro fluía muito melhor no lado VERDE, onde se concentravam a maior parte daqueles que tinham os websites e aplicações como sua fonte de renda única.

O muro foi derrubado e o mundo virtual LARANJA não mais era.

Para o deleite dos VERDES, os LARANJAS foram obrigados a manter suas opiniões conservadoras no armário. Finalmente uma internet dedicada à justiça social e ao politicamente correto.

Não é preciso dizer que em pouco tempo todas as aplicações colapsaram por inatividade de usuários, oprimidos pelo medo de dizer as palavras erradas e ofender alguém. Só sobraram os blogs, o T**der e o Bate-Papo *OL.

One thought on “O Muro do Facebook

  1. Profundamente sábio. Sem muros, Sem Estados. Sem exércitos. Sem trabalho assalariado, Sem greves e sem patrões. Caminhos e descaminhos pela frente. Em 20**.

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