Visão Global

visão global

Maya abriu o saco de maçãs com pressa e raiva, mil pensamentos densos a deslocaram do tato da palma da sua mão e criaram um talho. As maçãs rolaram, ela quis chorar. Uma das maçãs, no entanto, era azul, com faixas verdes, e sua superfície parecia ondular. Com medo de que a esquizofrenia finalmente a houvesse alcançado, ela deu uma mordida para provar que era somente uma maçã. Mas ela era salgada e refrescante, com gosto de salada, e no seu interior havia um caramelo quente. Mais calma, saiu para passear e viu um mundo diferente.

Na rua, não havia mais objetos, apenas causas e efeitos, comunicando-se através de um campo energético que só o coração acima da cabeça podia sentir. A vida era uma coisa, um sistema circulatório único que irrigava até mesmo a ferrugem no para-choques do fusca abandonado no meio-fio. Não era capaz de ver nada senão tudo ao mesmo tempo. As pessoas pulsavam em cores infravermelhas e ultravioletas, variando ao olharem para ela e uns para os outros. Havia uma ponte, o sistema circulatório infinito, a causa e efeito e o campo que as conectava, uma ponte entre ela e todas as formas de vida.

Ao voltar para casa, ela recolheu as maçãs e foi trabalhar em seu website.

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