Colonização Cultural

colonizacao cultural

Todos nós nos reunimos no porão da casa do meu pai, onde ele guardava a coleção de tacos de sinuca, e eu insisti para todos que, por favor, não tocassem nos malditos tacos de sinuca e não sentassem ou colocassem as latas de Budskalder em cima da porra da mesa de sinuca. Arranjei um cinzeiro com fotos estilo pop-art da Scarlet Jensen para que os desgraçados não pingassem cinza no piso, que foi a parte mais cara da casa toda, com pedras vindas não sei da onde que davam um ar mais rústico ao local mas que não podiam ficar sujas em hipótese alguma.

Antes da conversa começar, eu pedi que cada um desse os dez contos da intera da cerveja. O Caius só tinha umas moedinhas no bolso e já estava com o olho vermelho, e todo mundo quis experimentar a desgraça que ele trouxe da Europa antes da reunião. Eu, que não sou de ferro, entrei na onda. Por sorte tinha uma seda Made in Jarragona, que só dá pra comprar lá ou na loja especializada em Santo Arnaldo que eu tinha ido com a minha patroa duas semanas antes. Enquanto os trabalhos eram feitos, expliquei minuciosamente para eles que o lugar era o máximo e o top de linha em produtos de fumo e relacionados.

Uma hora depois, quando a maioria já estava de cabeça feita e afundada em seus a-phones, comecei.

“Eu quero que esse grupo seja um grupo de discussão formado por artistas e intelectuais para discutir a situação da América Greco-Romana. Melhor dizendo, a questão da colonização cultural e supressão dos valores grecoromanoamericanos pela ideologia imperialista Grega.”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *