Um Dia Qualquer

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Eu acordei. Tarde. Para mim, é cedo, mas para pessoas… Normais? Trabalhadoras? Sãs? Insanas? Iludidas? Disciplinadas? Para estas pessoas, é tarde. Vou à cozinha, pego um café e começo o processo de tentar ignorar o movimento da casa sem parecer rude. Preciso de alguns minutos para ligar o sistema. Checo minha rotina corrente – ela muda o tempo todo. Às vezes, a primeira coisa é escrever, isto nos momentos de foda-se. Em momentos otimistas, os exercícios de respiração e meditação.

O dia começou e em pouco tempo começará a pressão para almoçar. Almoçar na hora, como pessoas… Apressadas? Apegadas? Em paz consigo mesmas? Me esforço para não falar só sobre mim mesmo ou o que me interessa. Faz sentido: as pessoas se aborrecem com isso com facilidade.

Volto para o computador, monitorando a velocidade da minha digestão e o céu. Visualizo os exercícios do dia, segundo o programa que muda mais ou menos a cada 3 semanas.

Às 2h estou no parque. A visão de outra pessoa nas barras vem acompanhada de um “putaquepariu” mental. Tento me acalmar. Muitos dos exercícios são pouco convencionais, o que traz uma certa dose de ansiedade. Os dias bons são aqueles de sol e seca intolerável, onde nem os guardas têm a coragem de por a cabeça para fora.

Retorno. Escrevo um pouco mais. Deito-me na rede para ler. Os movimentos na casa recomeçam. Falam comigo e eu paro. A cada interrupção, preciso de mais uns dez minutos para retomar o ritmo da leitura.

À noite, ando um pouco, pensando e conversando comigo mesmo. Às vezes ando tanto que meus pés doem. Depois coloco no fone de ouvido algum áudio que eu já ouvi dezenas de vezes e faço alguma coisa bem natural, como desenhar ou construir cidades. No meio da madrugada, com os fones ligados, a mente ligada em formas e cores, tudo se resolve.

Até quando eu me dou ao trabalho de perceber que já é tarde e que eu continuo tomando café. Deito na cama e o filme começa. O mesmo desde sempre, com alterações de acordo com minhas experiências pessoais.

No sonho, o velho ri da minha cara. Se acordo no meio da noite eu faço uma pequena oração particular para me proteger dos espíritos.

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