Epic Metal #2

epic metal 2

Emion e Elfion, os gêmeos, de espadas tamanho família apoiadas sobre os ombros e peles de carcaju no corpo, estavam emagrecendo a cada dia de caminhada. Tomaram a estrada que ia na direção do sol nascente e se perderam na primeira curva, quando Elfion achou ter visto um coelho correndo entre as pedras.

Não encontraram o coelho, mas uma floresta. E na floresta, encontraram um gamo. Perseguiram-no por três dias e três noites, até que o animal os encarou.

Melhor dizendo, encarou Emion:

– Parem de me perseguir, demônios! – disse o gamo.

Emion virou uma estátua. Elfion xingou palavras incompreensíveis, que saíram da sua boca suja antes de serem articuladas.

– Precisamos comer, gamo – disse Emion. – E você é a única coisa comestível por aqui.

O gamo balançou a galhada num gesto muito humano, fechando os olhos.

– Eu não sou um gamo, demônios. Eu sou o guardião desta floresta. Este animal cedeu gentilmente seu corpo para que eu fizesse uma ronda.

– Assombração! – gritou Elfion, agora escondido atrás de uma árvore.

Emion se ajoelhou e juntou as manzorras em prece.

– Ó guardião, permita-nos provar de tua carne.

O gamo suspirou do jeito que um animal é capaz de suspirar.

– Sigam-me, seus animais.

Emion emitiu um único “ha” pela ironia da coisa. O gamo virou-se e saltitou mato adentro. Os gêmeos correram atrás dele, passando por árvores mais velhas que o próprio tempo, com intumescências nas raízes e gerações de musgo verde-claro corroendo a madeira.

Chegaram a uma gruta, onde o gamo parou, levantou as orelhas para os irmãos e saiu correndo, daquela vez do jeito que um gamo faria. De dentro da gruta saía fumaça. Entre as duas opções, Emion decidiu por correr atrás do gamo. Seu irmão o imitou.

– Seus animais estúpidos! – gritou uma voz do interior da caverna.

Emion interrompeu a corrida e viu um homem saindo da gruta. Vestia um trapo sem cor, de onde pendiam cordas de tripa que terminavam em pequenos crânios de animais. Na mão direita, levava um cajado todo rabiscado e na esquerda um cigarro enrolado do tamanho de um pé. Os cabelos amarrotados e apodrecidos escondiam-lhe a face e mesclavam-se com a barba.

– Assombração! – gritou Elfion, novamente se escondendo atrás de uma árvore.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *