Desejo e Desespero

desejo e desespero

N. reprimiu seus desejos. O desejo revelava um mundo denso e grosseiro, um redemoinho, uma infindável série de flexões para cada aspecto deste desejo. N. escolheu reprimi-los pois sentiu que a vida estava passando diante de seus olhos na forma da parede branca diante da qual buscava realizá-los. N. entrou num mundo de horas longas, risadas fáceis e tempo e dinheiro a serem gastos.

N. abandonou seus desejos, mas eles não a abandonaram.

Como todo bom desejo, eles mudaram de forma e atacaram N. pelas costas. A diversão se transformou em adicção. O tempo livre se transformou em depressão. O dinheiro fácil se transformou em dívida. N. retornou ao seu velho mestre carrasco e seu castelo no plano astral e só precisou de um olhar para revelar o paradoxo que buscava solucionar.

“Você se recusa a entender”, disse o velho mestre carrasco, “que tudo aquilo era para que, quando chegasse sua hora, você não se desesperasse. Você se recusa a entender e opta pelo desespero como meio de vida.”

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