Barbárie e Civilização

barbarie e civilização

A plateia se acomoda e se aconchega nos bancos de madeira. Não há lugar certo, e o maior e mais feio abre o caminho com a barriga para os melhores lugares. Ele tem uma faca em algum lugar da calça, para qualquer coisa. Estão todos ansiosos. No meio do picadeiro de areia, há um palquinho de madeira com um apoio para a cabeça; diante do apoio, há um balde de madeira. Está longe, pequeno.

Rufam os tambores. As pessoas se levantam. Elas cantam. Estão excitadas.

O homem encapuzado é trazido por outro homem encapuzado. Ele é um monstro. Um violentador, um psicopata, um assassino, uma anomalia insolúvel. Todos gritam contra ele com razão. O pai da menina que não está mais no mundo chora de emoção, uma mistura de raiva e gratidão pela existência daquilo que a plateia suada e barulhenta chama de justiça.

O homem é ajoelhado no palco. Sem demora, o machado desce e extrai-lhe a cabeça do corpo. Aplausos. Um alívio e um aviso para todos.

O corpo decapitado desliza para o lado. Agora ele é um corpo. Um corpo como o de qualquer um. Um aviso e uma angústia.

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