Epic Metal #3

epic metal #3

Branko arrancou um chumaço de espinheiro sem cortar as mãos e o levou ao que parecia ser um nariz, impossível de ver por entre os cabelos mofados e emaranhados. Supostamente, deveria dizer a Emion e Elfion o caminho mais seguro para dentro da fortaleza, mas ele prosseguiu cheirando o espinheiro da maneira que Elfion cheirava as roupas das mulheres que visitavam sua antiga casa.

–  Ele fede – disse Elfion. – E parece ser burro.

– É, ele fede. Que fome.

Emion observou Branko, o novo companheiro, o homem que entrava nos corpos dos gamos e cães e não tirava vantagem daquilo. Ele não deveria dar uma boa refeição: era magrelo, feio e, ainda por cima, fedia.

Elfion tirou da tanga a última das maçãs selvagens que tinha, do tamanho de uma azeitona, e comeu.

– Estou comendo essa porcaria há muito tempo. Preciso de alguma coisa que fuja.

– Aha! – exclamou Branko, dando um susto nos dois irmãos. – Há ratos na fortaleza, meus amigos.

– O que tem os ratos? – perguntou Emion.

– Ratos são excelentes espiões, meus amigos.

Elfion jogou o que restava da maçã selvagem em Branko.

– Espiões são a caixa da sua mãe! Cansei dessa palhaçada. Vou entrar.

Enquanto Elfion discutia com Branko, gritando que não ia servir para nada, que ratos eram equivalentes às atividades que a mãe de branco supostamente performava, alguém veio pela estrada. A cavalo. Emion gritou, mais os outros dois não ouviram. O cavalo chegou mais perto, mais perto. Emion buscou a espada. Tinha algo errado, ela estava muito leve. O cavaleiro cavalgava um cavalo preto e branco, deixando uma nuvem de poeira para trás.

Elfion deu um tapa em Branko, que caiu. Elfion se curvou, e Emion notou que sua mão estava presa nos cabelos emaranhados. O cavaleiro vestia uma armadura brilhante como uma caneca de prata. Chegou perto demais. Elfion tentou puxar a mão, mas ela não soltou e Branko gritou. Emion saltou, sacando a espada leve demais, e percebeu que só tinha a guarda em mãos. A lâmina ficou na bainha. O cavaleiro do cavalo preto e branco sacou a sua própria espada no meio da investida e golpeou Elfion. A cabeça bateu quatro vezes no chão antes de parar aos pés de Emion. Os olhos reviraram e a boca se abriu.

– Ele fede muito – disse a cabeça de Elfion, antes de colocar a língua para fora.

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