Letras

AAQUL SPIRITAS
por Cassio L. Moraes


Estaa spiritas qo ind aaqul viit,
Riiilum, risuu laarva
Surtans lumiina quaa ind superfaas
Aaa vocalii tu
Muneea tuo esperaat
Ind friire manin
Cuam veneeres madres claant proter praaterita
Aaa vocalii tu
Solicituu magica suua revelaa
Seid urgee tu iis teguliis griise cobletere
Imaginaani sangeem e doolor
Iliic estaa spiritas
Habiit ind aaqul
E submerius estaa
Un digii
Un dai


(Tradução do Vulgor*: Espírito da Água; Há um espírito que vive na água; um fantasma engraçado, risonho; cavalgando as luzes refletidas na superfície; ela está te chamando; ela espera por suas oferendas; numa manhã fria; quando mães choram por coisas passadas; está te chamando; ansiosa por revelar sua mágica; mas você inisiste em se cobrir com estes cobertores cinzentos; imaginando sangue e dor; há um espírito que vive na água; que está se afogando; uma polegada por dia.)


FAMEELICUS
por Cassio L. Moraes


Satiri corrun fuurti por umbros
Intre liingus iignis
Ventum Fameelicus annuncis
Fameelicus e bos infiniitum
Primem flaas
Tumo umbratio
Tumo umbratio uumbratio
Tumo fundans domuurum
Linuum, laapis e paalea
Doonc no iipsum nis intre miicis iiter tuumo
Satiri quee-re
Queerens aliid precioosum


(Tradução do Vulgor*: Faminto; Faunos correm sorrateiros; pelas sombras entre as línguas de fogo; anunciando a chegada do Faminto; o Faminto e sua boca infinita; consome primeiro as chamas; depois as sombras; depois as sombras das sombras; depois as fundações das casas; madeira, pedra e palha; até que não resta mais nada para comer senão ele próprio; entre as migalhas de sua passagem; faunos vasculham; em busca de alguma coisa preciosa.)


ANTEQUAA SOL OCCIDA
por Cassio L. Moraes


Antes que o sol se ponha
quero deixar tudo pronto para sua chegada.
Vou esquentar água para o chá,
cortar três fatias de pão e passar um pano sobre a mesa.
Você entrará e eu recolherei seu agasalho,
pendurando-o no cabide feito com os restos do bosque de bétulas.
Puxarei a cadeira para você. Perguntarei como estão as coisas.
Tentarei não me afogar nos seus dentes enquanto você sorri.
Marcaremos para nos encontrarmos mais tarde, talvez na sua casa.
Não deixarei você esquecer seu agasalho.
Trancarei a porta. Olharei para a casa vazia.
No lugar onde o sol se põe, o uivo que me enlouquece.


(Tradução do Vulgor*: Antes que o sol se ponha)



*dialeto fictício